domingo, 25 de maio de 2008

Life! And now, something completely diferent: Life!


Algures, durante o nosso tempo de vida, certos eventos alteram-nos as bases, as estruturas, as filosofias e enfim, o dia-a-dia, o rame-rame, as prioridades.

Aconteceu-me à dias, algumas semanas e meses, curtos ainda, um destes eventos. Arrasa-quarteirões, redefinidores do que somos, do que sentimos, do caminho que vamos percorrer.

Com algum tempo, poderemos voltar a pôr a cabeça no sítio e regressar ao aconchego da racionalidade, mas até lá, é tempo de revolução, de aprender a viver de novo, de escutar, de partilhar, de soltar o que somos.

Pelo que está para vir, pelo que já passou, por aquela sensação hollywoodesca de que só acontece em filmes e aos outros, deixo aqui o testemunho, o facho do farol, para que outros, humanos ou não, habitantes deste planeta e a todos os extra-terrestres nas imediações, que tenham ou estejam a pensar, nem que por breves momentos, estarem perdidos, sozinhos no Universo, que a a Felicidade só se encontra quando se procura e que para aqueles que o fizerem certos do que são e do querem, a encontrarão.

Obrigada Aluap ;-) !

Saurium

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Fantasma...

Foi no 308.

Foi por causa do desaparecimento, aparentemente inexplicável, duma pasta com documentos que o invocaram. O enfermeiro de serviço comentou que poderia ser culpa do fantasma do quarto ao lado. Que se assim fosse, seria compreensível a pasta ter desaparecido. Por fim desvenda a identidade do fantasma: Fernando Pessoa morreu no quarto ao lado, o 308. Consta que o seu fantasma ainda habita aquele velho Hospital de Saint Louis, ou dos Franceses, como também é conhecido. Na parede exterior do quarto, que não consegui ver por dentro, um quadro com uma imagem dele e um poema. Tão simples que quase passa despercebido a quem, por uma ou outra razão, entra naquele corredor.

Porque quereria um fantasma e mais particularmente o de Fernando Pessoa (ou seria de algum dos seus heterónimos?), uma pasta com papéis e uma caneta? Quereria ele acabar algum poema? Ou apenas um pedaço de papel para continuar a descrever tão bem os cantos enevoados e obscuros da Vida, os da sua condição fantasmagórica?

Desperta-me alguma ironia aperceber-me do facto de que ele que viveu, não vivendo, muitas vidas, observando ao pormenor as mais simples e complexas contradições e paradoxos da condição humana, descrevendo-os com uma clareza desarmante em pequenos pedaços de névoa, procure ainda, em espírito completar ou quem sabe, descrever os equivalentes pontos difusos do mundo dos espíritos.

Por fim, o mistério é resolvido. O que se julgava desaparecido, aparece, vítima da logística e sem vestígio do fantasma.

Se o Fernando, em forma de fantasma, existe ou não? Não sei. Sei apenas que passou os seus últimos minutos de vida ali, no 308. E que me é impossível passar indiferente a esse facto...

Saurium